Venda de Dados de Clientes: Visa e Mastercard querem vender dados pessoais de seus clientes para fins publicitários
A idéia é simples e até positiva em determinado ponto, porém controversa. As duas empresas estudam a possibilidade de vender informações baseadas nas compras com cartão de crédito, permitindo que anunciantes possam ter uma idéia mais aprofundada sobre o comportamento do consumidor e oferecer produtos baseados em seu perfil através de anúncios on-line.
Esta prática não é muito diferente daquela utilizada pela Google, que utiliza o histórico de pesquisas de seus usuários a fim de fornecer anúncios mais acertados.
A idéia da Visa e Mastercard, vai um pouco além, pois permite que anunciantes tenham acesso a informações baseadas naquilo o que foi realmente comprado.
Por exemplo: um número X de usuários da MasterCard e Visa tem o costume de comprar suas passagens de avião utilizando o cartão de crédito, logo estes usuários entrariam no perfil de ‘Viajantes Assíduos’. Isto permite que tanto a Visa quanto a Mastercard possam vender os dados destes usuários para que Companhias Aéreas, Hotéis, e diversos segmentos da industria hoteleira possam oferecer serviços, descontos e informações a este público, de maneira muito mais assertiva do que qualquer outro meio de segmentação atual.
Venda de Informações Pessoais: uma faca de dois gumes
O monitoramento e venda destas informações podem ajudar a vida do consumidor no dia-a-dia, já que os anúncios estariam alinhados ao seus hábitos. Porém, esta prática causa uma enorme erosão na idéia de “anonimato” na internet. O que pode gerar a insatisfação de clientes destas bandeiras.
Mas a idéia parece ser boa, um modelo similar foi implantado no varejo, como na loja GAP Inc. em parceria com a Visa, por exemplo.
Através desta iniciativa, usuários da Visa que compraram nas lojas GAP e que permitiram a venda de suas informações pessoais, recebem torpedos das lojas GAP avisando sobre promoções e descontos em peças. O que ajuda bastante a consumidores saberem onde estão as melhores ofertas.
Porém, a segmentação de anúncios on-line sempre foram baseadas no comportamento das pessoas na internet e não em suas atividades em lojas físicas, o que leva a discussão a um nível mais alto. Afinal, mesmo que haja ganhos para o consumidor final, nem todos gostam da idéia de ter suas informações exploradas.
Mastercard e Visa desistem da idéia de anúncios individuais e opta por perfis de grupos
“Você é o que você compra” dizia um documento apresentado pela Mastercard a executivos das maiores agências publicitários do país. A idéia era vincular as informações de internautas sobre seus comportamentos reais de compra a fim de segmentar anúncios individuais. Porém, como a MasterCard não coleta nem nome, e endereço no processamento de cartões de crédito, isto dificulta a tarefa de vincular as atividades de usuários do cartão ao perfil on-line, disseram os publicitários que tiveram acesso ao documento. Porém o documento afirmava que esta tarefa poderia ser realizada através de “atributos anônimos de compras ao nome e localidade do comprador” com a ajuda de empresas terceirizadas.
Tal proposta possibilitaria um mapeamento detalhado sobre a vida das pessoas que não estão disponíveis em outro lugar.
“Estamos levando as coisas a um nível mais profundo. (…) É um mecanismo muito mais preciso para a segmentação dos anúncios.” – Susan Grossman ao Wall Street Journal – Agosto 2011
Segundo o relato de Susan Grossman, chefe de soluções de Mídia da MasterCard, ela afirma que já existem muitas informações que ajudam na segmentação dos clientes, mas nada tão profundo quanto dados baseados em transações reais de compra.
A MasterCard afirma que desistiu da idéia devido as restrições das empresas financeiras no que diz respeito ao uso de dados de clientes e explica que o documento foi criado para conversas exploratórias.
Porém já está bolando um plano para vender aos profissionais de marketing uma análise de dados anônimos agregados, classificando-os por segmentos, tais como pessoas com alta propensão a se interessarem por viagens internacionais.
A Visa também tem planos semelhantes. Através de um pedido de patente publicado em Abril, a Visa enxerga potencial de usar uma vasta gama de dados para criar perfis e segmentar anúncios que vão muito além das transações de compras, como por exemplo: agregar as transações de compras de determinados produtos em zonas geográficas. Dessa maneira, anunciantes poderiam saber em quais pontos da cidade se compra mais de um determinado produto do que outro.
Falta saber se o público consumidor gostou da idéia. E você, o que acha desta iniciativa? Deixe seu comentário aqui em nosso site.